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Trabalhar a viajar: como montar a ligação para que não te deixe a pé

Uma só ligação não chega quando dela depende o teu trabalho. Como prever redundância, quantos dados calcular e o que verificar à chegada.

Claudia Ferrán 7 min Foto de NASA no Unsplash

Quando a viagem é também o escritório, a ligação deixa de ser uma comodidade e passa a ser infra-estrutura. E a regra da infra-estrutura é sempre a mesma: o que tem um só caminho, um dia cede.

A regra dos dois caminhos

Quem trabalha a viajar precisa de duas formas independentes de se ligar, e que não dependam da mesma coisa. A combinação habitual é esta.

  • O wi-fi do alojamento ou do espaço de trabalho, como caminho principal.
  • Dados móveis teus, como reserva, num plano suficientemente grande para aguentar um dia inteiro de trabalho.
  • E, se o trabalho não admitir falhas, um segundo plano de outro operador local, porque as quebras costumam afectar uma rede e não todas.

Quantos dados calcular

JornadaPor dia
Correio, documentos e mensagens500 MB - 1 GB
Com duas ou três reuniões em vídeo2 - 4 GB
Com envio de ficheiros pesados4 GB ou mais
Partilhando a ligação com o portátil o dia todo5 GB ou mais

Com esta forquilha, um mês de trabalho a partir do estrangeiro passa facilmente dos 50 GB, e é o caso claro em que um plano ilimitado faz sentido, quando o destino o oferece.

Quando compensa o ilimitado e quando não está em eSIM ilimitado ou por gigas.

O que verificar no dia em que chegas

  1. A velocidade real do wi-fi do alojamento, com um teste à hora a que trabalhas.
  2. Que a ligação partilhada a partir do telemóvel funciona com o teu portátil.
  3. Que as reuniões aguentam: uma chamada de teste de cinco minutos vale mais do que olhar para o número de megas.
  4. Onde fica o segundo sítio ligado mais próximo, caso o primeiro ceda.

Este último ponto é o que separa um contratempo de uma crise: saber de antemão para onde ir com o portátil debaixo do braço.

O fuso horário, que não é um pormenor

Se as tuas reuniões são de tarde em casa e tu estás na Ásia, as tuas horas de trabalho caem de noite, quando a rede está descarregada e vai melhor. Se estiveres na América, coincidem com o pico de tráfego local. É uma diferença real de qualidade e convém tê-la em conta ao escolher o destino.

Trabalhar a partir de outro país tem implicações fiscais e às vezes de visto. Nada disso se resolve com uma ligação, e convém informar-se antes de te instalares nalgum sítio por uma temporada.

Perguntas frequentes

Quantos dados são precisos para trabalhar a viajar?

Entre 2 e 4 GB por dia com duas ou três reuniões em vídeo, e mais se enviares ficheiros pesados ou partilhares a ligação com o portátil o dia todo.

Chega-me o wi-fi do alojamento?

Como caminho principal sim, mas não como único. Quem trabalha a viajar precisa de uma reserva de dados móveis própria.

Compensa um plano ilimitado?

No trabalho remoto quase sempre: um mês de jornadas com reuniões passa facilmente dos 50 GB.

O que verifico à chegada?

A velocidade do wi-fi à hora a que trabalhas, que a ligação partilhada funciona com o teu portátil e onde fica o segundo sítio ligado mais próximo.

O fuso horário influi na qualidade?

Sim: trabalhar de noite local coincide com a rede descarregada, e fazê-lo à hora de ponta local nota-se nas videochamadas.